Horta em Prosa: Troca de saberes e sementes crioulas com participantes de um Centro de Convivência
Postado 23/01/2017

 
Postado por
Veridiane Sirota

Curitiba - PR
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Organização/Instituição Promotora da Experiência : Residência Multiprofissional em Saúde da Família - UFPR
Área da Experiência: Agricultura/Abastecimento, Consumo, Saúde
Niveis Atuacao: Municipal/Local
Setor da Organização/Instituição: Individual
Sujeito Idade: 20 a 59 anos, 60 a ou mais,
Número Aproximado de Participantes da Experiência : 0-50
Sujeito Caracteristica : Comunidade em geral, Profissionais da saúde
Tipo Local: Espaço público (praça, mercado, centro comunitário, igreja...)
Tipo Experiência: Material Impresso, Roda de Conversa
Temática: Agricultura familiar, Produção agroecológica, Agricultura urbana e hortas , Direito Humano à Alimentação Adequada e Segurança Alimentar e Nutricional , Patrimônio e cultura alimentar


Sobre A Iniciativa:

Em se tratando de uma retomada às práticas ancestrais de produção e consumo de alimentos – visando um futuro com sustentabilidade ambiental, social, cultural, econômica e alimentar -, tem-se investido cada vez mais em ações que viabilizem a troca das sementes crioulas entre guardiões e guardiãs, a fim de identificar origens, saberes do cultivo, preparações culinárias, bem como a (re)valorização da diversidade alimentar. Apoiado nisso, este trabalho da equipe de residentes em Saúde da Família (UFPR) teve como objetivo trazer a concepção de Soberania Alimentar e Segurança Alimentar e Nutricional por meio do dialogo sobre a produção de alimentos em contexto nacional e regional com participantes de um Centro de Convivência do município de Colombo-PR.



Passo A Passo:

O Centro de Convivência (CC) foi escolhido como o espaço para a troca de saberes entre as residentes e o público que frequenta o centro, pois possui uma relação direta com a prática do cultivo de alimentos, mediante o cultivo de uma horta no próprio espaço, onde as pessoas participantes são as responsáveis pela manutenção e cuidado. Foram realizados dois encontros mediados pela equipe de residentes com a participação de 40 pessoas, sendo 38 mulheres e 2 homens, tais pessoas frequentam assiduamente o CC e tem neste lugar um sentimento de pertencimento e partilha que os unem. Para partilhar o conhecimento, dispomos de uma “roda de conversa“, partindo-se do pressuposto que cada pessoa traz consigo conhecimentos que podem ser compartilhados, aprofundados e por fim aplicados com base nas suas demandas. Num primeiro momento, as mediadoras incitaram as participantes a relatarem experiências anteriores com a plantação de alimentos, incluindo o conhecimento acerca dos agrotóxicos e possíveis malefícios, prevenção e controle natural de “pragas” naturais, diversidades dos vegetais cultivados e a propagação de sementes. Em vários relatos foi perceptível sentimentos e sensações que por sua vez, afloraram nas lembranças gerando assim um “saudosismo coletivo”, já que muitas pessoas afirmaram que gostavam muito da época que moravam no sítio e, hoje, percebem que os alimentos plantados e colhidos por eles tinham sabor superior e inigualável daqueles adquiridos nos mercados. O grupo lamentou a vinda para a cidade, que, na maioria dos casos, foi decorrente da compra da área daquela família por empresários e grandes fazendeiros. Ao por em discussão a diversidade dos vegetais cultivados e a propagação de sementes, relembraram algumas como “milho branco, milho pipoca vermelho, feijão arroz, feijão rosinha, feijão roxinho, couve rábano e melão neve" que eram amplamente produzidos e consumidos, o que atualmente não lhes é possível - nem plantar, nem comer - devido à desvalorização e perda das sementes ao longo do tempo. Quando, na roda de conversa, se abordou o tema do uso dos agrotóxicos, foi problematizado os efeitos negativos da sua aplicação para a terra, água, ar e animais, bem como a posição que o Brasil ocupa sendo o primeiro lugar mundial no consumo, atentando para o posicionamento do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) contrário ao uso de agrotóxicos no país, ressaltando os riscos à saúde, em especial nas causas do câncer. A fim de desconstruir a concepção benéfica sobre o uso dos agrotóxicos e para possibilitar novas práticas e soluções nos seus cotidianos de "cuidadores e cuidadoras das hortinhas", foi entregue ao grupo um compilado de receitas caseiras (adaptado do Livro Agroecologia,de Jurandir Zamberlan e Alceu Froncheti, 2012) de caldas com ingredientes naturais, como alho, pimenta e cinzas de lenha e carvão, para aplicar nas plantas no intuito de prevenir doenças nas plantas (ANEXO 1). Perante o entuasiasmo das participantes, foi proposta uma troca de sementes crioulas e de mudas de plantas diversas, como flores, ornamentais e ervas medicinais, para que se construa uma rede para a propagação de espécies, possibilitando que várias pessoas tenham acesso. Atentou-se para que caso alguém não tivesse sementes crioulas ou mudas poderia as procurar em amigos, vizinhos e familiares, e que espécies comumente encontradas como salsa e cebolinha, seriam bem-vindas para a feira. Do mesmo modo, foi desmotivado a compra de sementes e mudas em espaços de venda, pois muitas das sementes são transgênicas, não atendendo a proposta da Feira. A “Feira da mãe Terra para a troca de saberes, sementes e mudas” contou com as seguintes sementes levadas pelas participantes do CC: “fava olho de cabra preta, fava branca, camapu, quiabo, feijão guandu, melão São Caetano, café, abóbora moranga, endro. Entre as mudas se observou: café, alecrim, citronela, arruda, cebola, coqueiro”. A maioria das variedades citadas foram colhidas pelas participantes em seu próprio quintal. Muitas das sementes que foram trocadas e partilhadas na Feira foram levadas pelas residentes que conseguiram o máximo de variedades possível mediante suas redes de amigos, familiares e agricultores e agricultoras agroecológicas, tais como feijão (cavalo marrom, carnaval, amendoim, carioca 60 dias, bolinha verde, branco, preto graúdo, arroz, bolinha laranja, mourinho marrom graúdo, carnaval vermelho, rosinha), outras de milho (pipoca vermelho, preto e amarelo, doce, vermelho, roxo, amarelo da espiga roxa, branco, amarelo rajado) e outras diversas como: vinagreira, abobóra de pescoço, girassol, amendoim touceira vermelho, melão laranja. Mudas como azedinha, capim limão, hortelã pimenta, pitanga, cavalinha e espada de São Jorge, também fizeram parte da feira. Cabe ressaltar que os nomes dados às sementes e mudas são originários da sabedoria popular, não elencando o nome cientifico.



Considerações:

As participantes agradeceram a troca de experiências e conhecimento, pontuando a importância dessa discussão com profissionais da saúde, os quais, por vezes, se limitam a atuação clínica de prevenção, tratamento e cura de doenças, reduzindo o olhar para a saúde.







Álbum de Fotos da Experiência



Biblioteca da Experiência
1 - ANEXO 1


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